Roupa da Shein, Harry Styles e um sentimento que definitivamente não prescreve
Se até o Harry fez o comeback dele, eu é que não poderia ficar de fora.
Hey you!
Devo, não nego e pago quando puder: disse isso no ano passado pra vocês, pro advogado do inventário do meu pai e pra mim mesma.
Dito isso: estou de volta :)
Eu e o filho da puta do Harry Styles
mas e quando chegar a edição em que eu e meu amigo Tulio vamos fazer a coluna dele ao vivo do Show do Harry de Halloween na residência do MSG, ein?
Vai emocionar!!!! Enfim…
Nesta edição resolvi começar pelo começo: estão na mesa as entradinhas! Servidos?
🥁 Todo ano eu faço meu dever de casa de carnaval: escuto o Angu de Grilo especial de enredos como quem assiste o último aulão do ENEM no 3º ano do Ensino Médio. Pra quem ainda não é adepto e quer entender um pouco mais sobre cada desfile, vai fundo! E já fecha esse carrinho da Shein pro Carnaval!
🎤 Talvez eu esteja um pouco mais obcecada pelo Tucker Pillsbury cantando The Longest Goodbye do que é socialmente aceitável. Especialmente considerando que ele é a mistura de um menino de tatuagem feia que eu flertava no Instagram com meu ex-chefe super abusivo. De qualquer forma, sinto que ele chamar o Niall pra ser a Sally no show de Londres foi pra me atingir e eu preciso que vocês assistam isso também.
⌚️ É sempre um bom momento para achar um novo ângulo para falar mal de pedófilo criminoso. Aqui estão os relógios mais feios do mundo comprados por aquele filho da puta do Epstein (vários desses você encontra todos os dias no Piselli do Iguatemi).
🎥 Esses dias o Mateus me enviou esse vídeo muito bom sobre o filme favorito dele e eu separei pra mostrar pra ele (por impresso) a matéria da Piauí sobre o filme de 'Cem Anos de Solidão’. Mas, na verdade, só coloquei esses petiscos aqui pra falar de filme e lembrar que ‘O Agente Secreto’ teve 4 indicações ao Oscar. Filme brasileiro de tubarão sendo reconhecido pela academia!!!!!!
🏎️ Crônicas são datadas, num geral. Umas mais que as outras. Mas quando a Maria Ribeiro comentou sobre a série da Galisteu sobre o Ayrton Senna ela disse que “sentimento não prescreve” e isso fica até hoje na minha cabeça. Eu acho que, ainda hoje, pode ficar na de vocês também.
Eu tenho mais sapatos do que preciso, e bem menos sapatos do que gostaria. Isso é um fato. Mas quando chega o Carnaval, sempre vem junto a dúvida cruel: qual deles vai ser sacrificado pra viver as ruas do centro do Rio de Janeiro e qual vai sustentar assistir até o último desfile no dia que eu for para a Sapucaí?
Esse ano, pela primeira vez, o segundo sapato vai ter um peso maior: eu estou planejando passar mais tempo vendo desfile do que correndo atrás de bloco. Não vou entrar em muito em detalhes, mas espero que vocês saibam que eu ainda sou hater de um monte de coisas que envolvem a LIESA, ok? Esse papo não vai vir por escrito - eu seria cancelada, o Gabriel David me bloquearia nas redes sociais e possivelmente na catraca também. Mas se a gente se trombar no Rio de Janeiro você me avisa que eu posso dar a minha palestrinha construtivista ao vivo.
E aí, vejam vocês, não bastasse Harry Styles decidir lançar seu álbum novo no dia em que eu marquei minha festa de aniversário sob o tema "sobrevivi aos 30 anos sem Harry Styles” (logo após o Carnaval), esse ano calhou do meu top 4 sambas favoritos desfilarem no mesmo dia: Beija-flor, Viradouro, Mocidade e Tijuca vinham sendo minhas músicas de tomar banho há mais de um mês e desfilam juntas na segunda-feira. Se isso não quer dizer que 2026 vai ser o MEU ano, sinceramente, eu sei lá o que quer dizer.
Desde ontem, porém, importante deixar claro que estou escutando Aperture (novo single Dele) no repeat no banho e no resto do tempo.
Mas esse texto não começou falando de sapatos pra terminar me colocando como protagonista, muito pelo contrário. Onde que queria chegar (a passos lentos e prolixos) é que tem uma coisa que muito me emociona quando eu vejo uma escola de samba entonar o seu refrão no gogó: embalados por um samba-enredo, me parece que todo mundo fica igual — as pessoas de tatuagens feias, as que compram na Shein, as que frequentam o Piselli, as que preferem as reportagens da Piauí mais longas, as que gostam de filme de tubarão, as que usaram o mesmo sapato de dia e de noite no Carnaval passado e, é claro, eu. E não há nada nesse mundo que me faça sentir melhor.
Esse é o Mateus, ele é meu médico e cineasta pessoal, mas isso não importa hoje. Ele tem quase (muito quase mesmo) 30 anos e é born-and-raised em Nilópolis, como a Beija-Flor e como o meu ex. Ele me pediu pra escrever uma nota de rodapé nesta newsletter quando soube que eu ia falar de Carnaval e eu só pedi pra ele não defender o samba da sua escola, porque eu já ia falar sobre isso (e não é bom encher demais a bola da Beija-flor, vamos ser sinceros). Ele respeitou. Ele quase (muito quase mesmo) sempre me respeita.
Continuando a cobertura carnavalesca dessa newsletter começo a temporada 2026 como correspondente Pastel de Milho™️ diretamente da Marquês de Sapucaí dizendo que o pré-carnaval está a todo vapor! Dá pra sentir no ar da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro (Baixada Fluminense e Niterói também) a empolgação aumentando para os desfiles das escolas de samba: se você tropeçar em um fim de tarde pode acabar caindo em um ensaio de rua ou até mesmo em um debate de qual escola tá no seu top 6 (eventualmente pode precisar improvisar suas opiniões).
E você não precisa nem necessariamente gostar de samba-enredo pra se divertir, as escolas entregam basicamente todas as camadas possíveis de entretenimento: música, dança, jogo de poder, alianças políticas, acusações justas, competição feroz, produção visual sem igual, bolões que mudam de liderança a cada nota, acusações injustas, gente bonita, comunidades inteiras batendo no peito e gritando seus sambas-enredo com temas que vão desde o maior candomblé de rua do mundo até o presidente Lula passando pelo manguebeat.... não é o maior espetáculo da terra a toa!
Volto depois dos comerciais com opiniões e análises™️. É com você, Nanda!
(e se você, meu amigo, também quiser escrever umas besteiras ou, eventualmente, umas coisas bem sérias por aqui, me avisa!)
Top 3 coisas que eu mais gosto sobre o pré-Carnaval:
Meu amigo Raphinha sempre vai inventar alguma coisa muito legal pra a gente fazer no camarote dele em dia de ensaio das escolas.
Ao contrário do Carnaval em si, no pré-Carnaval ninguém morre de FOMO. E se tiver chovendo você pode ficar em casa tranquilamente.
O Loló de Ouro é um bloco possível de pegar a corda.
Item extra que eu também acho muito bom: às vezes é meu aniversário, mas às vezes também não é. Ser pisciano é ter aniversário com temática fantasia ano-sim, ano-não, e, agora adulta, eu adoro me comemorar no pré-Carnaval de vez em quando.
Voltei a escrever por aqui porque queria retomar o hábito. Depois de publicar meu livro e começar um cronograma intenso de divulgação, que “foi parado” abruptamente com a morte do meu pai, nunca mais tinha feito nada sério sobre isso (a escrita). Ainda uso as palavras a meu favor no trabalho, é claro, mas nunca mais escrevi propriamente nada além de cartas de amor e legendas pra amigos e ex-namoradxs no Instagram. Criei essa newsletter buscando dar nova forma a isso de escrever para o mundo, mas calhou desse boomerang voar a cair de volta no mesmo lugar: a parte mais legal de todas tem sido ser lida pelas minhas pessoas. Ver meus amigos (e os leitores que não eram amigos, mas vem se tornando) responderem com um questionamento. Abrirem enquete em grupo de WhatsApp sobre uma besteira que falei. Postarem story com suas aspas preferidas. Discordarem objetivamente de mim e discutirem sobre alguma opinião na mesa do trabalho, do almoço, do bar. Virou casos de família e não poderia ter sido diferente. Gosto muito de roubar as palavras do Emicida ao dizer que “escrevo como quem manda cartas de amor". Por isso, nessa primeira fornada de pastel do ano, queria aproveitar pra deixar o meu muito obrigada. Ser lida por vocês é, sim, gostoso feito Harry Styles.





