🌽 Oi ou nada a ver?
Voltei eu, o Gregório Duvivier, o Harry Styles e meu novo amigo Kauan.
Eu tardo
Eu atraso
Eu falho
mas uma hora eu dou as caras: oie!
Sou eu, outra vez, mas agora com 31 anos!
Acreditam?
Enfim…
É uma terça-feira qualquer e, no horário de almoço, eu e a Victória estamos trocando áudios sequenciais pelo WhatsApp. No meio do papo ela, levemente surpresa com uma resposta que dei, me escreveu dizendo assim: “Mas você é realmente mt madura né cara / Minha irmã mais velha mais madura”. Meu primeiro impulso foi de responder POIS EU NÃO QUERO SER MADURA AGORA, EU TÔ CANSADA, EU QUERO VOLTAR A SER CAÇULA MIMADA E REBELDE QUE EU FUI POR TANTO TEMPO. O impulso durou pouco, muito porque eu sei bem que já faz tempo que eu tive mesmo que amadurecer — a vida se impôs, o mundo se abriu pra mim repetidamente e eu fui escolhendo caminhar nessa nova direção. Foi uma escolha importante e consciente, e eu vivo mesmo bem melhor com isso. Mais tarde, neste mesmo dia, deitada na cama, eu peguei no celular e vi o seguinte TikTok:
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É verdade que eu lido bem com problemas, de maneira geral. Poucas coisas me tiram do eixo. Eu tenho uma cabeça equilibrada e resolvo quase tudo de forma direta, feito gente grande. Mas, mais do que isso, a grande verdade é que: eu nunca precisei passar por nada sozinha. E isso muda o jogo todo, não tem jeito. Eu sempre soube que a minha retaguarda tava protegida. Que eu tinha com quem contar.
É domingo, fim de tarde. Minhas roupas chegaram da lavanderia e eu estou arrumando elas dentro do meu armário. Daqui do quarto posso escutar a TV da sala ligada: está passando um jogo de futebol. Acho que é o Vasco jogando. Assistindo, em silêncio, estão o Guga, o Lucas e o Mateus, que estão em São Paulo pra comemorar meu aniversário essa semana. Minha memória episódica me leva direto para os domingos em que passei arrumando meu quarto na casa do meu pai, enquanto ele assistia, sem grandes empolgações, qualquer jogo de futebol na TV. Na minha cabeça começa a tocar “the sun is the same in relative way but you’re older”, do Pink Floyd. E isso me lembra que meu pai sempre esteve lá e que, de alguma maneira, sinto que ele sempre vai estar comigo. Mas, quando ele não está, tem sempre outra pessoa ocupando espaços por mim e para mim. Eu sou uma garota de sorte.
Agora é quinta-feira de manhã. Estou em casa terminando de arrumar minhas malas: vou para o Rio no fim de semana para comemorar meu aniversário com minha família e boa parte dos meus melhores amigos. Tenho 31 anos e posso dizer que ainda tenho, com todas as letras, melhores amigos. Muitos deles de infância. A TV da sala está desligada e o sofá está vazio, a Victória não me responde no WhatsApp desde ontem de noite, mas, mesmo assim, eu não estou sozinha. Eu nunca estou sozinha.
Falei sobre esse texto (quando ele era apenas um pensamento intrusivo na minha cabeça) na terapia. Na hora, só me lembrei de uma metáfora psicanalista popular no Twitter que sempre volta para a ideia de que, na análise, quem senta no divã é a criança. Talvez quem guarde as suas roupas de volta no armário também sempre seja ela. Meu analista sorriu.
Hummmmmm, essa semana trouxe poucas e boas pra vocês experimentarem de aperitivo. Tão servidos?
📖 O Gregório, o José e o Lucas ficaram de escutar esse episódio da Radio Novelo apresenta e me falar o que acharam. Acho que vocês deveriam fazer o mesmo!
🥚 Pegando o gancho, “empadão é o meu ovo” é um texto antigo do Gregório, mas já estamos aí falando de Páscoa novamente, né? Vale a leitura.
🕺🏻 Sexta-feira tem álbum novo do Harry e eu queria sugerir pra vocês aquecerem com essa entrevista aqui. Não tem jeito, ele é ele. E meu amigo Rosado, que nem é muito fã, assistiu e adorou. Assistam aí! Minha irmã também vai.
🥅 Estou viciada nos brinquedos do parque do Kauan. Vocês precisam maratonar todos os vídeos (são vários perfis no Instagram, mas nesse aqui você já encontra um monte).
💘 É possível que vocês se apaixonem depois de escutar esse podcast, mas a culpa não vai ser minha — estou prevenindo desde já.
Não consegui me organizar pra oferecer muita coisa pra vocês hoje. Queria voltar a escrever fazendo o que desse (e deu pouquíssimo). Tenho me ocupado dando pra outras coisas mais importantes. Tô meio agitada e ansiosa essa semana. Trabalhando muito, pensando muito na guerra, no estupro coletivo de Copacabana e, de quebra, ainda tô reajustando a rota de uma relação muito importante na minha vida. A frase “quero namorar numa canção sem pressa pro refrão” também me ocupou mais do que devia nos últimos dias.
Enfim, o que estou tentando dizer é que se você chegou até a última linha dessa edição: massa! Muito obrigada! Desculpa qualquer coisa! E a gente se vê, quem sabe, na semana que vem.






Eu nunca tinha parado pra dar o devido valor as dicas do final. As dessa semana tão fenomenais!!! KAUANNNNN
Nossa, me identifiquei um bocado com seu texto. A maior parte da minha vida, também me sentia acompanhada. De um ano e pouco para cá a coisa mudou e, nossa, que falta faz sentir esse apoio. Gostei muito da sua escrita, voltarei sempre.